Durante a história da Missão Exoplaneta, venho destacando diversos astrônomos e pesquisadores brasileiros como forma ter mais um espaço de divulgação de seus trabalhos, mesmo que o nosso alcance não seja um dos melhores.

Que tal conhecer os recentes destaques da astronomia brasileira? Além de notícias, nesta edição vou divulgar alguns planetários e perfis sobre astronomia pra você acompanhar. É claro que muita gente acaba ficando de fora, então tome esta edição como um assunto introdutório e nos indique quem você acompanha.

Pesquisador brasileiro tem estudo publicado na Nature sobre formação de satélites a partir da fusão de múltiplas “luas” em miniatura

O Doutor Gustavo Madeira que é pesquisador do Observatório Nacional (ON/MCTI) teve seu trabalho publicado numa das revistas mais famosas no meio científico, a Nature em 2025. Seu estudo foca na formação da Selam, uma pequena lua que orbita o asteroide Dinkinesh e que provavelmente Selam se formou por uma sequencia de fusões suaves entre outras luas menores que seriam parte do material expelido pelo asteroide Dinkinesh.

Tudo começou porque em 2023 durante a missão Lussy da NASA, a comunidade científica se surpreendeu ao descobrir que Dinkinesh possuía uma lua num formato binário:

Fonte: Nature

Curiosamente, o formato da lua aparenta ser duas esferas se tocando o que pode suportar a teoria no qual luas com formatos diferentes, surgiram devido a impactos entre luas de massa semelhante. Assim, os cientistas usaram simulações de computador 3D de colisões em baixa velocidade entre pequenas luas para reproduzir o resultado.

Por que isso é importante? Esse trabalho do Dr. Gustavo ajuda no entendimento da evolução de sistemas binários, sobre o quão diverso são os formatos de luas, além colaborar com os estudos sobre a estrutura interna de asteroides, que consequentemente, é importante para a defesa planetária.

“A formação de luas com formatos peculiares ao redor de asteroides é uma questão discutida pela comunidade desde que a missão DART (2022), da NASA, revelou que a lua Dimorphos, do asteroide Didymos, possuía um formato oblato, algo não previsto pelas teorias vigentes”

Dr. Gustavo para o Observatório Nacional

Teve colaboração brasileira em identificação de buracos negros duplos

Se lembra do belíssimo alvoroço quando a primeira imagem de um buraco negro veio a tona? Naquela época se falava muito sobre uma rede de telescópios espalhadas pela Terra chamada de EHT, o Telescópio Horizonte de Eventos. Esse telescópio conseguiu criar “uma super lente” ou um telescópio gigante, apontado pro espaço pra observar o buraco negro supermassivo no centro de outra galáxia: a M87.

E agora, os astrônomos usaram novamente o EHT para observar um sistema de dois buracos negros supermassivos que parecem orbitar entre si e que se localizam a cerca de 1,6 bilhão de anos-luz da Terra.  Segundo a matéria publicada no Jornal USP, eles descobriram que entre esses objetos há ondas de choque em forma de hélice, com polarização da luz girando em direções opostas por onde as ondas de choque passam. Em outras palavras: um campo magnético meio… distorcido.

“Essas rotações em direções opostas são a evidência definitiva […] Quando os choques interagem com a instabilidade de Kelvin-Helmholtz, eles revelam a estrutura helicoidal do campo magnético”, completa.

José L. Gómez pesquisador do Instituto de Astrofísica de Andalucía-CSIC e autor principal do artigo para o Jornal da USP

Traduzindo: helicoidal seria hélice.

 “[…] é a primeira vez que observamos diretamente a interação de choques e instabilidades em um jato de buraco negro”. As modelagens detalhadas mostram que os componentes do jato se movem em trajetórias torcidas consistentes, e não apenas em linhas retas ou curvas simples.”

Efthalia Traianou, coordenadora do Grupo de Trabalho de AGNs do EHT para o Jornal da USP

A USP com o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) em 2022 integrou formalmente  a colaboração com o EHT devido a chegada do professor Ciriaco Goddi, que é colaborador do EHT desde 2014.

Mas por que isso é importante? Porque o Brasil está liderando a construção de um novo telescópio chamado LLAMA (Large Latin American Milimeter Array) e que integrará o EHT para novos estudos e descobertas.

Falando nisso… vou aproveitar aqui pra indicar o documentário Black Holes: The Edge of All We Know que tá disponível na Locadora Vermelha, a Netflix. Nele é possível ver meio que os bastidores do EHT e conhecer muitos cientistas envolvidos no mundo todo! Recomendo :)

Pesquisadores brasileiros participarão do observatório Vera Rubim

Talvez você não saiba, mas o Observatório Vera Rubim é um telescópio enorme localizado nos Andes, no Chile. Sua câmera, a LSST é a maior do mundo com uma resolução de 3.200 megapixels, capturando características de objetos distantes jamais capturadas! Essa câmera já conseguiu registrar diversas imagens incríveis do Universo, como o aglomerado de Virgem que possui mais de 1.500 galáxias.

Observatório Vera Rubin, em Cerro Pachón, no Chile - Créditos: RubinObs / NOIRLab / SLAC / NSF / DOE / AURA / P. Horálek (Instituto de Física de Opava)

Segundo a Revista Fapesp,

“A maior parte dos registros iniciais do Vera Rubin mostra panorâmicas, construídas pela junção de centenas de imagens, e close-ups […] Cada imagem do Vera Rubin é tão grande que seria preciso dispor de 400 televisores de altíssima resolução para vê-la em seu tamanho original ou projetá-la sobre as paredes de um prédio de 12 andares.“

Esse observatório é o resultado de um investimento financiado pelos EUA através da NSF (National Science Foundation) e o Departamento de Energia há 25 anos atrás.

Através de acordos internacionais, cerca de 3 mil pesquisadores de vários países participarão do projeto. O Brasil, pôde indicar 170 pesquisadores onde 34 têm o status de Pesquisador Principal e os demais serão investigadores assistentes e alunos de pós-graduação.

Por que isso é importante? É importante porque o Brasil está envolvido e marcando presença numa das maiores revoluções da observação astronômica atual, com trabalhos que contribuirão, cada um a seu modo, com mais descobertas científicas.

Brasil ganhou 4 medalhas na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astronáutica!

A base vem forte! Em agosto de 2025 em Mumbai na Índia, o Brasil conquistou 4 medalhas na 18º Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, a IOAA.

🥇 Luca Pieroni de Valinhos - SP ganhou a medalha de ouro;

🥈Franklin Silva de Recife e Francisco Carluccio de Campinas levaram a de prata;

🥉Lucas Amaral de Itapetininga- SP ganhou a de bronze e Giovanna Karolinna de SP ganhou menção honrosa.

Essa olimpíada faz parte de uma iniciativa pros estudantes do ensino médio do mundo todo e é similar à OBA. Inclusive, o Brasil participa todo ano desde 2007 com equipes que são formadas através de um processo seletivo hiper rigoroso com organização da OBA e do Observatório Nacional.

Acredito que a OBA tem enorme valor nas escolas e cria um senso de comunidade muito legal que me acolheu demais no Ensino Fundamental, então fico sempre feliz com essas notícias de estudantes ganhando diversas medalhas pro Brasil. Parabéns à todos!

Perfis no Instagram pra você seguir

Planetários brasileiros pra você visitar

Muitos planetários possuem cursos, palestras, workshops e museus incríveis que ensinam todas as idades. Tente reservar um dia pra visitar um planetário que você vai se surpreender com a dedicação dos profissionais que lá atuam e a vontade de explicar sobre o Universo. Confira as datas e horários das sessões, preços, o que pode ou não levar e como funciona nos links relacionados a cada planetário a seguir:

Tese sobre a Via Láctea venceu o prêmio da Sociedade Astronômica Brasileira

O brasileiro Dr. Guilherme Limberg do programa de pós-graduação do IAG da USP foi o vencedor em 2025 de Melhor Tese de Doutorado em astronomia de 2023-2024 pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB).

A tese chamada “Dwarf galaxies galore: stellar popullations of disrupeted Milky Way satellites” investiga populações de pequenas galáxias que foram destruídas e incorporadas à Via Láctea ao longo de sua história.

Segundo a SAB, a tese se destaca pelos seus resultados como identificação de um episódio adicional na história de formação estelar, com evidências que ligam a galáxia anã Gaia-Enceladus ao aglomerado globular Centauri, além de análises de evolução química em sistemas anões.

Legal, né? Parabéns Guilherme!

Novo site da Missão Exoplaneta está de volta e em sua primeira fase

É isso mesmo! A Missão Exoplaneta está com site novo e para entregar a melhor experiência pra você, estamos dividindo o desenvolvimento em fases evolutivas. Na primeira, temos o básico: página inicial, episódios listados (incluindo pro mais novo ME-Lab), sobre a autora e link para o Apoia.se do projeto.

Na página de episódio, você encontrará:

  • A descrição do episódio;

  • Participantes;

  • Player do Spotify para ouvir;

  • Bibliografia;

Nas próximas fases, teremos:

  • Melhor navegação do menu desk e mobile;

  • Footer;

  • Página sobre o projeto e não sobre a autora;

  • Landing Page sobre a ME-lab e o Apoia.se

  • Contador de metas do Apoia.se

  • Listagem dos nossos artigos;

  • Listagem das nossas participações em canais no YouTube;

  • Lista de apoiadores;

  • E muito mais…

Acesse nosso site e dê feedbacks! São muito importantes pois o site foi feito para vocês :) missaoexoplaneta.com.br

Até a próxima edição!

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